Inaugurando nova sessão (que não é de descarrego!)
Hoje inauguro uma nova sessão no Enfyspot, que vai trazer, de tempos em tempos, alguns contos e estórias escritos por mim. Começo por um conto do qual particularmente gosto muito, que se chama "A Mulher que Roubava". Vamos à primeira parte, de três. Espero que gostem!
A MULHER QUE ROUBAVA - PARTE I
Ela passou por mim. Um cheiro extraordinário. Lavanda. Lembrou-me mamãe. Que Deus a tenha. (Sinal da cruz). Passou rápido, olhando volta e meia por trás do ombro. Eu trabalhava há poucos meses num shopping center. Como segurança. Sempre fui grandão e, apesar de não ter podido continuar na escola, o dono do shopping me deu uma oportunidade de trabalhar lá.
E lá estava ela. Linda. Suspeitei dela, apesar de estar muito bem vestida, pois ela passava uma sensação estranha, de gente suspeita. E, afinal, eu era o segurança. Ela não me viu imediatamente. Carregava apenas uma sacola de papel, não muito grande. De repente, me olhou. Senti o terror nos seus olhos, ao encontrar os meus. Fiquei confuso, mas logo ela disfarçou, fez como se nada tivesse acontecido. Na mesma hora, pernas-pra-que-te-quero! Saiu em disparada, como se me pedisse: “Corra atrás de mim!”.
Juro, se tivesse continuado a andar como um pouquinho antes, ainda que suspeitasse dela, a teria deixado passar. Era tão linda... Mas ela não me deixou alternativa. Claro que, na hora, não fiquei pensando em tudo isso. Mas propositalmente não ativei meus outros colegas pelo rádio-escuta. Fui sozinho. Saí gritando: “Senhora! Senhora! Espere!”, mas ela, nada. Corria cada vez mais rápido. Não sei como conseguiu me despistar, com aquele saltão... Depois de algum tempo correndo, consegui alcançá-la, já fora do shopping.
Peguei no braço dela. Ela se virou. A maquiagem, que antes a deixava bela, agora fazia dela um monstro daqueles que a gente vê nesses filmes de terror classe “z”. Escorreu tudo pra baixo dos olhos. Mesmo assim, era encantadora. Caiu num choro mudo, as lágrimas escorrendo para o queixo. Olhou para mim com olhos de súplica. Perguntei: “A senhora está bem?” Queria saber... perguntar... conhecer tudo sobre aquela mulher.
Ela só fez um aceno de cabeça e disse: “Moço, deixe-me ir. Estou doente. Por favor, leve esta sacola de volta à loja de onde peguei. Deixe-me ir...” Seu olhar era tão triste! “A senhora roubou este vestido?” Eu havia olhado dentro da sacola de papel. “Sim. Pode levá-lo de volta? Não tenho coragem... Tenho vergonha...”.
Respondi que tudo estava bem, que levaria o vestido de volta à loja. Olhei para os lados, para ver se havia alguém nos observando. Ninguém. Respirei aliviado, pois não queria puni-la, acionar a polícia, toda aquela romaria. Pensei numa desculpa para dar à dona da loja, dizendo que não consegui pegar a moça, mas que a sacola estava jogada no meio da rua, abandonada.
A desculpa pegou. Todos se esqueceram do incidente. Menos eu. A imagem não saía da minha cabeça. Aquela mulher, chorando, encantadora, cheirando lavanda. Depois de uma semana, ainda a via. Sonhava com ela. Perguntava-me como estaria, queria abraçá-la, confortá-la. Mas, ao mesmo tempo, sentia uma culpa terrível, um aperto quando pensava que estava pondo meu emprego em risco se alguém descobrisse que fui omisso.
Até que um outro dia, ela voltou. Arregalei os olhos, não podia acreditar. Era ela mesmo. Passou novamente por mim, o mesmo cheiro, saltos altos. Portava outra sacola, menor, de outra loja. Quando me viu, a mesma cena. Disparou à minha frente. Fui atrás. Na porta do shopping, a agarrei, pois não correra tão rápido desta vez.
“A senhora fez de novo”, olhei com tristeza para ela. “O que está acontecendo?”. “Por favor, me abrace, moço”. Não acreditei! Ela havia realizado meu sonho. Senti como se aqueles segundos fossem a eternidade. Ela chorava baixinho no meu ombro. Quando se acalmou, me olhou e disse: “Meu nome é Mônica”. “Prazer, Osvaldo”, respondi. Um sorrisinho sem graça e muito charmoso iluminou seus olhos. “Você sai a que horas?” “Almoço à uma. Falta meia hora”. “Posso esperá-lo?”. Mentira! Aquela mulher queria me encontrar? Não hesitei. “Tem certeza?” “Uhum...”. Ah, que olhar, que voz, que mulher! Não via a hora de chegar. Ela me esperava na praça de alimentação.
Polemizado por ...enfys... às 00h15
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DIA DE FESTA !!!
(Porque não é qualquer porcaria que me derruba...)

Eu não te amo só porque você é minha filha,
Nem porque é isso que as mães devem fazer...
Eu amo você porque é um pedaço de mim,
De meu próprio corpo; foi moldada a partir da minha carne,
E do meu sangue.
Eu amo você não só por ser uma criança amável.
Amo por ser também minha amiga e mestra.
Amo porque existe e faz parte do meu mundo.
Amo quando chora e sorri.
Amo quando diz que gosta mais de mim do que de chocolate...
Amo quando está nos meus braços, dizendo que esteve
Com saudades, durante as poucas horas em que ficou na escola.
Amo quando canta pra mim, e me consola quando não consigo
Evitar uma lágrima que cai por algo sem muito valor,
Mas que sabe ser importante para mim.
Você chegou cedo na minha vida. Eu mesma era uma criança quando
Você se apresentou para mim como “minha filha”.
Mas chegou na hora certa, no tempo exato para nós duas.
Você nasceu de um amor infantil, mas trouxe consigo
Toda a maturidade de que precisei para que,
Quatro anos depois, ainda continue seguindo.
Você é mais madura do que permite a sua pouca idade.
Você é mágica, você é maga! Já me provou conhecer o futuro...
Enfim, Vica... não importa o que eu escreva aqui. Nenhuma destas palavras
Vai poder traduzir tudo o que você significa para mim.
A minha intenção era só escrever alguma coisa em sua
homenagem, no seu dia, e repetir mais uma vez que
EU TE AMO, MINHA FILHA!
FELIZ ANIVERSÁRIO, VICTORIA!!!
Que os Deuses te protejam e permitam que você cresça saudável e feliz.
Eu sempre estarei ao seu lado!
De sua mãe, Marcella.
Polemizado por ...enfys... às 00h35
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