Queria escrever alguma coisa sobre ontem ter feito um ano que o Zé Paulo e eu terminamos... Mas não sei se quero mais. Queria dizer que nesse ano em que estivemos juntos, sem compromisso, sem um laço nomeado, muitas coisas aconteceram. Boas e ruins. As coisas boas foram que eu aprendi muitas coisas, em diversos assuntos, mas principalmente sobre mim, dentro dos relacionamentos. Quando ele terminou comigo, depois de uma briga que aconteceu entre ele e meu irmão por causa da Victoria, me senti a última mulher na face da terra. Desolada, simplesmente não conseguia entender por que aquela discussão, da qual eu nem participei, levou ao fim um namoro que era tão gostoso, uma paixão que me deixava tonta, o homem de quem eu queria ser a esposa um dia... Depois de passado algum tempo, acordei num belo dia me sentindo uma pseudo-"mulherzinha", sentindo raiva de mim porque eu havia sido uma durante toda a minha curta vida amorosa. Vale dizer que eu nunca tive vocação para Amélia, e não foi a isso que me referi quando me entitulei "mulherzinha". Esse título me remonta àquelas mulheres que pensam que só vão ser felizes se tiverem um homem ao seu lado, um namorado, um pinto só seu! Àquelas mulheres certinhas, inseguras, dementes, que revistam os bolsos dos namorados ou maridos, que se sentem incompletas e mal-amadas se o coitado resolve ir tomar umas cervejas com os amigos. Mulheres estilo medieval... Que são educadas para se casarem, constituírem uma família de uma penca de filhos e serem submissas ao marido até que a morte os separe. Não, eu também nunca fui assim exagerada. Mas sentia, sim, insegurança, queria ser amada. Quando caí na real, me assegurando que eu era suficiente para mim, e era totalmente responsável pela minha felicidade, as coisas mudaram de figura. Não, não virei lésbica, nem tampouco comecei a odiar os homens. Muito ao contrário! Comecei a amá-los muito mais, a afastar mais a cada dia a dependência que sentia do amor deles... Comecei a encarar os homens de uma forma muito mais "eu não preciso provar nada para vocês, nem quero prova nenhuma que vocês me amam ou precisam de mim". Tomei-os como o outro lado da moeda, um ponto de equilíbrio entre mim e o mundo. Meu comportamento mudou tanto que hoje é até difícil me lembrar com clareza de como agia antes, de como era... Hoje, um ano depois, o Zé Paulo ainda faz parte da minha vida, num relacionamento em que existe harmonia, intimidade profunda, amizade, compreensão, união, discussões, companheirismo, beijos e, é claro, sexo. Sim, nós terminamos o namoro, mas começamos a viver algo muito real, muito concreto. Estamos juntos de alguma forma. Já tivemos alguns pitis por ele ficar sabendo que estive com outras pessoas, ou que participei deste ou daquele Clube do Beijo. Afinal, eu achava que era totalmente válido que eu conhecesse e ficasse com quem eu quisesse. Eu mesma nunca o privei disso. No fim das contas, depois de ter, como disse, estado com outras pessoas em algumas situações, me vejo dentro de uma relação com alguém com quem eu gosto de estar. Bom, é isso. Amor, boa viagem! Aproveite os States, e não esqueça dos meus cartões-postais!!!!  Te adoro!
Polemizado por ...enfys... às 12h54
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Why Be Normal???
O post de 12/06 do Zé d'A Hora do Café me inspirou a escrever este, e dar minha continuação e opinião sobre este tema.
Ele fala sobre ser normal ou não, mas vou apenas seguir um padrão: o estético, ou de como nos vestimos.
Eu sou muito desencanada com roupas. Mas sou vaidosa, como toda mulher. Por mais desencanada que seja minha roupa, não saio jamais desmazelada ou descabelada na rua (apesar de isso já ter acontecido! rs)
Começando pelo cabelo, eu não o penteio. Passo um pente de madeira com dentes grossos apenas quando saio do banho, e quando – somente quando – sinto vontade. Meu cabelo é liso, no ombro, e castanho escuro. Não tenho muita paciência com ele, por isso muitas vezes ele está preso por uma presilha ou num rabo de cavalo. Mas tenho muita paciência com ele, e faço aquela rotina maluca e feminina de ficar com uma dor de cabeça dos infernos por causa do “banho de creme com touca térmica” uma vez por semana, quando passo 20 minutos com o cabelo molhado, dentro de uma touca de plástico, esquentando a cuca com a outra touca, mas térmica, por cima. Minha mãe diz que eu pareço a Nefertiti quando uso aquele troço! kkkk Já tive o cabelo comprido até a cintura, mas também já passei máquina 4 na cabeça, e fiquei careca (fiquei linda!! rs). Já fui ruiva, loira, fiz luzes, pintei de preto, de castanho, de chocolate... Todas as cores já me passaram pela cabeça, literalmente!
Quanto à maquiagem, tenho pouco costume de usar batom, mas uso para sair (quando não com o Zé Paulo, porque sei que já saio do carro lambuzada e sem batom!). Gosto dos tons mais naturais, rosinha, marrom, cor-de-boca... Os olhos, antes dos óculos, quase sempre com um tracinho de lápis em cima e embaixo. Quando saio, alargo o tracinho, e pinto o olho inteiro de preto. Acho lindo... Mas agora uso óculos direto, então ninguém vê mesmo, a não ser que tire os óculos...
Roupas... Bem, minhas roupas. Há apenas uma peça que não uso, porque detesto: camiseta. Só uso quando ponho legging, porque se puser uma blusinha mais curta acho que fica ridículo! Hehehe
Tenho a manha de sair na rua de shortinho curto e blusinha, no verão. Sei que não é politicamente correto, mas, what the hell...? Não tenho vergonha do meu corpo, ainda que não seja perfeito, de modelo – é o único que eu tenho, e aquele que me leva, sem limitações, para onde eu quero ir, e me permite fazer o que tenho vontade!
Saio na rua de bermudas no joelho. Saio na rua toda chique. Saio na rua de chinelo Havaiana estrupiado. Saio de sapatinho chanel. Saio de tênis. Saio BG. Saio de calça jeans rasgada. Saio de calça de skatista, uma calça largona, com bolsos dos lados, e cintura baixa. Saio do jeito que sinto vontade... Só não uso roupa “de pati”... hehehe
Mas tenho certeza que tenho meu estilo, e uso minhas roupas de acordo com meu humor e disposição...
E você? Qual é seu estilo?
Polemizado por ...enfys... às 10h15
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Um pequeno conto
Tarde de Chuva
Era uma figura interessante. Diria-se estranha. Eu não lhe atribuiria uma feiúra bestial, mas tampouco lhe adornaria os cabelos ralos e chochos com flores de narciso. Era apenas, para mim, uma figura estranha.
Caminhava ora em passos de formiga saúva, ora com a elegância e a delicadeza de uma girafa de zoológico. Percebi que o barulho dos carros que avançavam o semáforo ainda vermelho lhe atiçava os ouvidos bastante sensíveis, protegidos por orelhas de um vermelho semelhante à luz daquele poste que tanto lhe prendia a atenção. Eram orelhas de um pequeno que não lhe cabia bem nas laterais daquela cabeça redonda.
Os olhos não me pareceram por demais vivos, a não ser durante os segundos em que admirava o poste que dizia “sim” a alguns carros, e “não” a outros. Estes, que permaneciam estáticos, numa inércia um tanto nervosa, eram, para ele, não uma ameaça, mas um consolo. O cabeção voltava-se de um lado para o outro; o rubro novinho do Peugeot na primeira fila, combinado ao não menos rubro daquele objeto de três olhos verticais, formavam uma harmonia que nem mesmo o cabeção mais atento poderia descrever.
Ele sentia-se o centro de tudo. Ele de fato o era. Estava ali, solitário, apaixonado – devaneio.
Os instantes pareciam correr à minha frente, nas brancas linhas que decoravam aquele cruzamento, mas corria somente para aquele homem, cujos órgãos não haviam parado de funcionar só porque eu o estava observando. Nada mais movia-se, senão seu cabeção.
Nesse ínterim, tive tempo de reparar, no carro ao meu lado, uma cara colada a uma acne superlativa que, parecia, tinha vida própria, e, se bobear, controlava até mesmo os movimentos das pobres pernas que a conduziam pela vida.
Além dos olhos, daquele andar animal, das mãos gigantes e da palpitação de seu coração, que eu quase podia sentir em meu próprio peito atento, algum mistério muito mais grave e fugaz circundava aquela caricatura. Suas roupas. O homem, sabe-se, era imenso. Mas era um “imenso-emergente”, alguém que havia, de repente, crescido muitos centímetros – talvez até metros – em poucos segundos. A calça curta, indicando mau gosto e descuido de uma só vez, deixava aparecer umas meias brancas caneladas, dolorosamente aliadas a sapatos de ir à missa de domingo – aqueles que têm uma fivela ridícula do lado. A camisa, de um rosa deprimente, colava-se com veemência a um tronco ossudo, cheio de costelas que imploravam um pouco de carne.
O homem tinha acabado de sair da lavanderia, creio eu. Melhor: ele próprio, junto com suas vestes, haviam sido, talvez, devorados pela máquina de lavar roupas, e centrifugados e esfregados e reduzidos a algo engraçadíssimo. As roupas encolheram, apertando sem dó nem piedade o homem enorme, que agora andava em direção ao outro lado da rua – finalmente! Infelizmente.
O meu carro foi obrigado a seguir, deixando para trás aquele homem grande e aquelas roupas pequenas e aquele farol verde e aquele Peugeot rubro. A vida continua, mas agora um pouco diferente, melhorada. Tudo anda bem, com passos de saúva e de girafa de zoológico. O bom de tudo é ter os olhos bem abertos pra poder ver o mundo e, depois, traduzi-lo numa folha branca de papel.
Polemizado por ...enfys... às 07h39
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