Tratado de cinco minutos e Agradecimento - Parte I
"Ser um ser humano é trabalhar por algo além de si mesmo. Eu uso o termo "auto-transcendência" para descrever esta qualidade subjacente ao desejo por sentido, a compreensão de algo ou de alguém além de si mesmo. Como o olho, nós somos feitos para nos direcionar ao exterior, para outro ser humano a quem nós podemos amar e nos entregar. Apenas dessa maneira o homo sapiens demonstra a si mesmo ser verdadeiramente humano. Apenas quando em serviço a outro uma pessoa conhece realmente a sua humanidade." Victor Frankl
É com esta belíssima máxima de Frankl que volto ao meu querido e saudoso spot. Estive ensaiando diversos textos, alguns ainda sem conclusão, sobre vários temas, inclusive um a ser discutido em breve no "IML - Instituto Médico...? Legal!" Por enquanto, fica um post que expressa o momento que estou passando, e as descobertas que tenho feito nos últimos tempos, nos tempos em que andei "sumida" da rede.
Domingo passado (26) foi meu aniversário. A vigésima terceira vez que o Sol voltou à posição em que estava na hora em que eu nasci. O dia foi especialmente fantástico, ao lado do meu amor, e passando por experiências incríveis, espiritualmente falando.
Como alguns sabem, eu encontrei uma pessoa, da qual posso, peito cheio, dizer que é o amor da minha vida. Com ele sou plena, sou eu mesma, redescubro e reafirmo a cada dia quem eu sou e por quê estou vivendo. Não é simplesmente paixão, daquelas românticas, em que todo o resto se perde naquelas águas e se torna subjugado ao sentimento de amar, e que quando o amor acaba, tudo se acaba junto, toda a vontade de viver, e nada mais faz sentido, se aquela pessoa não está ali. Muito ao contrário!!! No nosso caso, estamos amando, sim, romanticamente também, mas a diferença é que nesse amor encontramos uma fonte de energia que nos impulsiona em direção à vida e às suas conseqüências, e nos faz lutar ainda com mais vontade pelo que queremos e por nossas buscas individuais. Não encontrei minha "metade" apenas porque sou inteira, e o mesmo aconteceu com ele. Agora somos dois inteiros, de mãos dadas, andando pra frente. Eu, do fundo da minha alma, desejo que TODAS as pessoas se abram verdadeiramente para viver tal coisa, porque todos merecem amar e ser amados, sinceramente, sem máscaras e livres das imposições sociais e conflitos que não servem pra nada senão atrasar o homem.
Estou passando por uma fase de resgate do passado que tem sido incrível. O tempo todo me deparo com lembranças de momentos, lugares e pessoas, que me têm trazido muitos porquês de eu ser e agir deste ou daquele jeito, fazendo com que assim eu me perceba melhor e conheça a fundo meus conflitos, desejos e medos, para compreendê-los e assim cessar o automatismo e o condicionamento das minhas ações, transformando meu meio por conseqüência dessa situação. Nisso, minha contra-parte também tem muitíssimo a ver, já que Frankl e o Edu dizem, e eu assino embaixo, que é por causa do outro que temos a oportunidade de conhecermos a nós mesmos. Quem não olha para o outro não é capaz de perceber a si mesmo.
Polêmica lançada por Enfys Vanadizzy às 10h24
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Tratado de cinco minutos e Agradecimentos - Parte II
Acho engraçada a forma como o timing atua na vida das pessoas... Tudo pelo que passamos faz, indubitavelmente, parte do todo, e parte da teia de acontecimentos que formam a existência, individual e do Universo. Percebi que não somos humanos vivendo experiências espirituais, e sim espíritos vivendo experiências humanas, e isso faz pleno sentido, uma vez que temos a consciência de podermos ir além dos limites físicos, sejam os do corpo, sejam os da vida mundana. Aprendi também que a própria Vida não está contra nós, mas que Ela é uma fase, um degrau evolutivo; Ela É, e nós também Somos. Aqui e agora, não importando mais nada. Se nos tornamos conscientes disso, do Agora, tudo passa a ser menos doloroso e a ganhar força e sentido dentro do que executamos. Passamos a eliminar vícios e condicionamentos que não fazem senão nos causar mal-estares e mais conflitos, com os quais nos depararemos lá na frente, e que nos provocarão dores e amarras, e dessa forma, manterão nossa atenção cada vez mais voltada para os limites do ego, envenenando o corpo e inibindo ações prósperas...
Aprendi também que o caminho se faz sob nossos pés, conquanto tenhamos determinação e disciplina voltados para um objetivo real, que deve ser planejado, mas que não pode morar "lá", ao "final" do percurso, e sim em cada momento, desde seu planejamento, passando minuciosamente pelas pequenas ações feitas em prol dele. Afinal, com a experiência de viver, notamos que quando temos um plano e eventualmente o alcançamos, é ali que ele de fato começa, e então nós também começamos a viver toda aquela fase novamente... Planejar, agir, conseguir, planejar e por aí vai, ad infinitum...
Tenho me aprofundado em diversas ciências das quais conhecia apenas um pouco, e isso é o mais fabuloso pra mim, em se tratando de conhecimento: quanto mais uma pessoa conhece, mais ela percebe o quanto ainda há para se conhecer. Eu não aspiro a uma sapiência e sabedoria sobre-humanas, mas tenho fome de conhecer, e isso realmente me alimenta e faz crescer. Além disso, procuro fazer bom uso do que aprendo para minha própria evolução pessoal através do auto-conhecimento. E, novamente, vejo que quanto mais você conhece a si mesmo, mais é capaz de conhecer e se entregar para o outro, e essa experiência é muito valiosa e significativa.
Por fim, quero falar sobre meus amigos, meu folk. Sou mais que feliz e realizada por estar rodeada de pessoas tão compassivas e amorosas quanto estas. E não estou dizendo isso apenas pelo fato de eles terem me ajudado de uma forma que eu jamais poderia imaginar, mas pelo que eles são e fazem, e pela união de nosso grupo. Devo dizer que reconheço com toda minha alma o que eles fizeram por mim, e tenho uma dívida de gratidão imensa, de onde prometo fazer o impossível por todos e cada um deles, seja qual for a situação, em qualquer um dos Nove Mundos e além.
Obrigada, Folk!
Obrigada, Edu!
Obrigada, Universo!
Polêmica lançada por Enfys Vanadizzy às 10h20
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Etimologia Infantil
De onde vêem nossos mecanismos de raciocínio, da forma de vermos o mundo? É claro que de uma construção que se dá à medida que vamos crescendo, desde criança... desde o primeiro suspiro, quando colocamos pela primeira vez o ar do mundo em nossos pulmões, estabelecendo a troca mais significativa com o mundo exterior. As experiências na relação com a mãe, o nosso primeiro “outro”, nos apoiaram para descobrirmos que somos “um”, que eu sou eu. Interessante também é a construção da linguagem. Até hoje sinto as influências das experiências de menino em coisas e situações que se passam aparentemente sem chamar a atenção. Mas é só olhar para elas atentamente, driblando o automatismo cego da nossa encenação habitual que me vejo pequeno, conhecendo o mundo.
Até pouco tempo atrás, eu me pegava usando palavras que não existiam, justamente porque as concebi quando criança e passaram batidas até agora! Por exemplo, aquelas casas bonitas com um muro dividindo-a ao meio simetricamente em duas residências iguais. Isso mesmo. Eu as chamava, até pouco tempo atrás, de “casa germinada”, como se uma parte tivesse germinado da outra, como uma influência de um fenômeno botânico. Quando me corrigiram pela primeira vez quanto a isso, fiquei tão decepcionado como quando me contaram que Papai Noel não existia... Geminada? De gêmeos? Não fazia sentido. A palavra nem deriva de um verbo, pelo menos! Ou existe a palavra “gemear”? Germinada sim, fazia sentido. Tive que dar o meu braço a torcer, afinal de contas não conseguiria mudar o Aurélio por isso. Demorou 30 anos para cair essa ficha.
Outra palavra que me intrigou foi “pazes”. Eu tinha menos de sete anos e escutava as pessoas da família dizendo esta palavra entre aqueles discursos misteriosos do mundo dos adultos. Lembro-me bem da noite em que esta questão tomou forma e que a cataloguei na minha “lista de coisas intrigantes do mundo” (eu e minhas listas!). Lá, por exemplo, já havia o item “porque todas as flanelas são cor-de-laranja?”. Pazes. Escutei a Tia Antônia que morava em Pinheiros, no tempo em que lá não havia um boteco se quer. Ela disse naquela noite pra mim: “Você já fez as pazes com a sua prima? Faça as pazes com ela!” Caramba! Como é que é isso? Vinham na minha imaginação duas pás colocadas em xis como um símbolo da reconciliação. Interessante que eu sabia a intenção da palavra, reconciliação. Mas o caminho do entendimento daquela palavra era extremamente intrigante. O que duas pás teriam haver com reconciliação? Lembrei logo que na escolinha dávamos o dedo mindinho aos colegas, cruzando-os, para simbolizar o fim do “estou de mal”. Significava “agora estamos de bem”. Dois dedinhos como duas pás. Vai ver que era por isso. Pazes. Eu não sei por que, mas eu associava a esse mistério a cor roxa. Eram duas pás brancas (olha o simbolismo) sobre um fundo roxo e a Tia Antônia narrando ao fundo: “Fazer as pazes...”
Bom, pelo menos esse mistério foi solucionado logo em seguida, quando entrei no primário. Não precisei passar por 30 anos para entender isso, como foi o caso das casas geminadas. Mas ainda algo me intriga e continuo a preencher aquela lista: o que será que ainda tenho para decifrar enquanto herança daquela época? Acho que Freud pode explicar. Enquanto isso, vou fazer as pazes com minha prima e tentar um financiamento de uma casa geminada.
Polêmica lançada por Eduardo às 14h39
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Útero para todos
Enfys, você é uma pessoa muito encantadora. Adorei o seu convite para me manifestar aqui. Então vou carregar minha metralhadora e disparar o que ando pensando ultimamente...
* * *
Quando nascemos, a primeira coisa que fazemos é reclamar.
A segunda é acharmos que tudo o que está a nossa volta é nosso.
E aí vai... as coisas não mudam muito... ficamos eternamente querendo voltar àquele estado perfeito de aconchego do útero. Mas a molecagem tem limites e a vida nos vai educando na porrada. Quando queremos algo imediatamente, nem sempre a coisa vem na hora esperada. Na maioria das vezes nem vem e aí a frustração desse desejo nos ensina um pouco sobre nossa relativa insignificância perante o Universo: “As coisas não são bem assim, ó reles mortal. Se quiser sorvete de chocolate, pegue a senha e entre na fila... não sei se vai dar pra todo mundo...” - diria a atendente da sala de pedidos do Universo.
E quando encontramos alguém para amar? Atenção... Parece que você é amigo da atendente lá de cima. Tudo dá certo! Ela te põe no começo da fila, dá brinde, apresenta o chefe...Por alguns momentos parece que você voltou ao útero! Que maravilha...O encontro, a fusão de almas, os relógios parando no meio de um beijo eterno. Se você se esquecer das porradas levadas até o momento, fodeu tudo... Corre-se o risco de achar-se o “todo poderoso”, o “Senhor dos Anéis”... A Natureza não gostam dos trouxas, daí a porrada é maior com a finalidade de fazer a ficha santa cair.
Porém o que seria da humanidade se cada um não tivesse a possibilidade de amar algum dia? Você pode nunca ter amado alguém, mas a incerteza do futuro é tão cruel que ela coloca esta possibilidade lá, mesmo se você não acredita nisso. O que seria das pessoas se não fossem as histórias de amor, os finais felizes, a possibilidade de ganhar na loteria, o sorriso da mãe, o afago do pai, a atenção de um cachorro... São sinais de que este mundo exo-uterino não quer vê-lo frustrado e sem energia, mas também, definitivamente, não permitirá ninguém desfrutar do paraíso que tanto almejamos.
O amor e a dor estão aí, para todos... é só escolher. Desejo visceralmente que todos possam experimentar o que é o amor de verdade, morrer e renascer e retomar o gás para continuar a experimentar o gozo e as dores que fatalmente ainda estão para nascer em nossas vidas.
Enfys, já são 1438 horas de curso.
Polêmica lançada por Eduardo às 11h51
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Ah, quanto tempo...
Meus textos aqui têm sido esporádicos e verdadeiros partos mentais, compilações sem farinha nem polêmica de uma mente sem sul (norte eu tenho).
Pois é... mas agora é diferente. O que escrevo (tenho escrito muito pra mim mesma ultimamente) tem feito pleno sentido (pra mim mesma também). Aliás, o que não me faz sentido já não me causa mais nada - bendita tesoura! Tic tic daqui, tic tic dali, e assim vou podando minha existência, como uma linda arvorezinha de jardim botânico, ao invés dos canteiros das rodovias federais, aquela zona... tsc tsc tsc.
To amando!!! Amando de verdade. Dois seres vivos e completos. Um deles é o homem mais doce e lindo que já conheci, e o outro é uma moça, que vem a ser euzíssima mesma. Quanto mais conheço e convivo com estes dois seres, mais eu os amo!
Confetes e purpurina: viva o amor!
Polêmica lançada por Enfys Vanadizzy às 16h12
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